[Entrevista] Lateral Gilson já foi ajudante em mercado e até pedreiro


Postado por: Bruno Chastinet
Aos 26 anos, os pés são as principais ferramentas de trabalho de Gilson, mas as mãos do lateral-esquerdo do Vitória no jogo das 19h30 de terça, contra o Criciúma, no Barradão, foram muito calejadas na adolescência. Gilson cresceu jogando bola nos campos de Guanandi, bairro popular de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, onde nasceu. Mas aos 14 anos precisou aprender o ofício do pai. Seu Adaílton é pedreiro e ensinou o filho a construir pilares resistentes.

“A gente passou aperto, dificuldades, eu e minhas duas irmãs não tínhamos dinheiro pras coisas simples de criança, então, eu sempre fazia algo para ajudar em casa”, lembra. A mãe, Dona Celina, trabalhava como diarista. As mãos calejadas de Gilson só ganharam trégua quando ele assinou o primeiro contrato profissional, aos 17 anos, com o Cene, time sul-mato-grossense que o revelou. 
O salário de R$ 240 que passou a receber (em 2003) era o suficiente para se dedicar apenas aos gramados. “Ajudava em casa e ainda sobrava um dinheirinho”, recorda. Antes disso, passou um ano dividindo sua energia entre os campos da base e os bicos. “Também vendia sorvete, entregava panfleto e trabalhava como ajudante de supermercado, colocando preços e repondo mercadoria. Era muito cansativo, mas era o meu sonho ser jogador e nunca desisti”, orgulha-se.
Carreira - Há pouco menos de um mês, Gilson voltou a trabalhar como pedreiro, mas em outra obra. Está ajudando a construir o acesso rubro-negro à Série A. E mais: tem reconstruído a própria carreira, em baixa no primeiro semestre, quando defendia o Cruzeiro, clube com o qual tem contrato até 2014. “É um recomeço. No Cruzeiro, não tive oportunidade, não tive a sequência de dois jogos que eu sempre pedi pra mostrar meu potencial. Tô muito feliz de estar jogando e fazendo boas partidas”, diz.
Gilson foi o quinto lateral canhoto contratado pelo Vitória na temporada – antes dele, Wellington Saci, Gabriel Araújo, Dener e Mansur chegaram à Toca do Leão. O atual titular vestiu a camisa rubro-negra dois dias após ser apresentado na Toca e não a tirou mais. Com ele em campo, o Vitória ainda não perdeu: América-MG (2x1), Guaratinguetá (2x0), Joinville (2x1), Ceará (3x1), Barueri (1x0) e América-RN (2x2).
“O fundamental foi a confiança que o grupo e a comissão técnica me deram. Isso foi o fator fundamental pra desenvolver bem meu trabalho. O clima é bom, o grupo não tem vaidade e todo mundo se respeita. Tem uma disputa sadia por posição, claro, mas o entrosamento fora de campo é um dos pontos fortes que fizeram a gente estar firme na liderança”, pontua.
Matemática - O mundo da bola e as dificuldades da vida fizeram Gilson deixar os estudos antes de completar o Ensino Fundamental e ele confessa que nunca foi bom em matemática. Só que hoje em dia não tem problema pra lidar com números. Fazer conta no Vitória está facinho, facinho. 
“Nós pensamos sim em somar os pontos necessários matematicamente para conquistar o acesso e consequentemente o título. Vamos brigar pra sermos campeões. Nós estamos com esse foco”, garante o lateral de 26 anos, que só comemorou um título na carreira. Em 2005, foi campeão estadual com o Cene.
Fonte: Ibahia.com

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