Protagonistas relembram último Ba-Vi da história da Fonte Nova


Quando o árbitro Djalma José Beltrame apitou o fim de jogo naquele 22 de abril de 2007, todos no estádio sabiam que estavam presenciando a história. Afinal de contas, não é todo dia que um clássico termina com um triunfo por 6 a 5. Não é todo dia que um clássico tem três viradas em 90 minutos. Não é todo dia que um atacante faz quatro gols em um clássico. Todos estes ingredientes já faziam daquele Ba-Vi, pelo quadrangular final do Campeonato Baiano, um jogo para entrar no rol dos inesquecíveis. Mas houve ainda outro fator que elevou o duelo à categoria de memorável: aquele foi o último Ba-Vi da história da antiga Fonte Nova.
O duelo entre os dois maiores clubes da Bahia na primeira rodada da fase final do Campeonato Baiano de 2007 teve todos os elementos de um clássico. Emoção, viradas, gols nos minutos finais e muita provocação. Elementos mais do que necessários para que as mais de 60 mil pessoas que estiveram presentes na Fonte Nova agora guardem o clássico em um lugar especial da memória.
O jogo foi realizado três dias depois do Dia do Índio. E teve uma comemoração especial. Antônio Rogério Silva Oliveira, o Índio, foi o nome do jogo. Com suas tradicionais flechadas, fez a festa da torcida rubro-negra. E virou o terror do lado azul, vermelho e branco. Ele foi o autor de quatro dos seis gols do Vitória na partida.
- Até hoje eu lembro como se fosse ontem. A lembrança é bem perto. O jogo ficou muito marcado para mim por causa dos quatro gols que fiz e também porque o jogo foi importante para que a gente fosse campeão naquele ano – lembrou o jogador
Os quatro gols feitos no clássico elevaram Índio à condição de ídolo e colocaram o atacante na história dos Ba-Vis. Ele passou a ser o jogador do Vitória que mais marcou em uma única partida diante do rival. Já o atleta que mais balançou as redes em um Ba-Vi continua sendo Vareta. Em 1939, ele fez cinco gols na goleada do Bahia por 10 a 1 sobre o Vitória.
O feito faz com que Índio seja lembrado com carinho pela torcida do Vitória até hoje. Status que garantiu a ele uma participação em um dos vídeos especiais que estão sendo elaborados pela administração da Arena Fonte Nova para o dia da inauguração do novo estádio.
- Não tinha nem como sonhar que aquele seria o último Ba-Vi. Tem uns dez dias que fiz um filme para a inauguração do estádio e eu pude ver o tamanho da repercussão daquele jogo. Vi também que o estádio está lindo e pronto para que outros jogadores possam chegar lá e fazer história também – acredita o jogador.
Apesar da derrota do Bahia, há também gente que vestiu a camisa tricolor naquele jogo que tem boas recordações da partida.
- Não tenho como negar que a minha maior recordação da Fonte Nova é uma derrota: o histórico Ba-Vi que o Vitória ganhou de 6 a 5, com quatro gols de Índio. Perdemos, mas estive presente em um jogo que talvez não se repita tão cedo. Foi emocionante para as duas torcidas e algo que eu, como jogador, não vou esquecer nunca. Mesmo perdendo ainda deixei minha marca no quinto gol da nossa equipe, faltando apenas dois minutos para o fim da partida – revelou o meia Rafael Bastos.
Histórico por si mesmo
O último Ba-Vi da Fonte Nova foi a abertura da fase final do Campeonato Baiano de 2007. Logo na estreia do quadrangular, o clássico na Fonte Nova. Entre pagantes e não pagantes, foram quase 65 mil pessoas no estádio. O Bahia iniciou o jogo com pressão e, logo aos quatro minutos, Danilo Rios fez o primeiro gol, em uma cobrança de falta.
A festa tricolor durou até os 30 minutos. Aí veio a primeira virada da partida. Jackson empatou, e Índio, cinco minutos depois, deu a primeira flechada da tarde. O Vitória estava na frente do placar pela primeira vez.
Mas não por muito tempo. Três minutos depois, Fausto chutou de fora da área e empatou o jogo novamente. No último minuto do primeiro tempo, Danilo Rios promoveu a segunda virada da partida. O Bahia ia para o vestiário com o triunfo parcial de 3 a 2 
Depois dos 15 minutos de festa do Bahia, a alegria mudou de lado. No início do segundo tempo, Índio deu a segunda flechada. Em cobrança de pênalti ele empatou a partida mais uma vez. Em seguida, Apodi arrancou pela direita e colocou o Vitória na frente novamente. A vantagem rubro-negra foi ampliada quando Índio, de novo ele, fez o quinto aos 25 minutos.
O jogo já parecia definido. A movimentação e correria da partida pesavam nas pernas dos jogadores. Mas muita emoção ainda iria rolar na Fonte Nova. Aos 42 minutos, Fábio Saci aproveitou confusão na área e diminuiu. Três minutos depois, Rafael Bastos tocou na saída do goleiro Emerson e empatou o jogo mais uma vez. Delírio tricolor. Na comemoração, o meia chegou a imitar o atacante rival e simulou flechadas.
Mas a flecha tricolor não foi tão certeira assim no Leão. Apesar da possibilidade de abatimento por causa de um empate após uma vitória praticamente garantida, o Rubro-Negro surpreendeu. E o herói foi Índio. Nos acréscimos, o atacante dominou na intermediária e chutou forte no canto direito de Paulo Musse. Vitória 6 x 5 Bahia. Índio fazia história, levava a multidão rubro-negra ao êxtase e, mesmo sem saber, encerrava a era dos Ba-Vis na Fonte Nova em grande estilo.
Ao todo, foram disputados 306 Ba-Vis na Fonte Nova. O Bahia leva larga vantagem sobre o rival: são 126 triunfos do Tricolor contra 78 do Vitória – aconteceram ainda 102 empates. A torcida azul vermelha e branca vibrou com 356 gols, enquanto o lado rubro-negro comemorou 262 vezes. Apesar da vantagem histórica, o Vitória é quem leva a melhor no retrospecto recente. A última vez que o Bahia ganhou um clássico na Fonte Nova foi em fevereiro de 2004. O Vitória defenderá, neste domingo, uma invencibilidade de sete partidas no estádio.

Último BAVI da antiga Fonte Nova

Estádio pronto para ser inaugurado
A Fonte Nova foi interditada em novembro de 2007 depois que parte do anel superior do estádio cedeu e matou sete pessoas – durante um jogo do Bahia pela Série C do Campeonato Brasileiro. A praça esportiva permaneceu fechada até agosto de 2010, quando foi implodida para a construção da arena visando a Copa das Confederações de 2013 e a Copa do Mundo de 2014.
Seis anos depois do último Ba-Vi, o clássico está prestes a acontecer de novo no estádio. A inauguração da Fonte Nova será neste domingo. Para debutar na nova arena, já com todos os 40 mil ingressos vendidos (o jogo não será realizado com carga máxima), o maior clássico do Norte/Nordeste. Com casa moderna e cheia, os torcedores só podem esperar que um pouco da emoção daquele último Ba-Vi se repita no dia 7 de abril de 2013.
BAHIA 5X6 VITÓRIA
Paulo Musse; Carlos Alberto (Amauri), Hebert, Rogério e Victor Boleta; Humberto, Fausto, Danilo Rios (Emerson Cris) e Rafael Bastos; Fábio Saci e Moré (Danilo Gomes)Emerson, Apodi (Alex Santos), Sandro, Jean (Jefferson) e Alysson; Vanderson, Bida e Jackson e Capixaba; Índio e Joãozinho (Sorato)
Técnico: ArturzinhoTécnico: Givanildo Oliveira
Gols: Danilo Rios (4/1º), Jackson (31/1º), Índio (35/1º), Fausto (38 do 1º), Danilo Rio (45/1º), Índio (6/2º), Apodi (21 do 2º), Índio (26/2º), Fábio Saci (42/2º), Rafael Bastos (45/2º) e Índio (49/2º)
Cartões amarelos: Hebert, Rafael Bastos, Alysson e Índio
Árbitro: Djalma José Beltrame
Local: Fonte Nova
Público: 60 mil pagantes


Fonte: Globoesporte.com





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