Fernando Miguel quase desistiu do futebol para trabalhar como recepcionista de hotel

É comum ouvir entre torcedores que vida de jogador de futebol é fácil, principalmente quando o atleta está em um dos grandes clubes do futebol brasileiro, como o Vitória. Não é bem por aí. 

Quem olha para o goleiro Fernando Miguel, bem-sucedido, titular do rubro-negro, admirado por quem frequenta as arquibancadas, nem imagina, por exemplo, que esse encontro, por muito pouco, quase não aconteceu. 

O primeiro momento de dificuldade do gaúcho nascido em Venâncio Aires veio ainda na infância. “Eu sou da roça, nasci em uma cidade do interior do Rio Grande do Sul. Com uns 14 anos, um consul do Grêmio me viu jogando e me mandou para Porto Alegre para fazer testes. Tive uma família humilde, apesar de nunca ter faltado nada. Só que era impossível fazer essa viagem de 120 km para jogar todos os dias, o custo ficou alto e eu disse ao meu pai que ia parar de jogar futebol. Eu sempre fui consciente”, lembra ele, que começou a carreira no Guarani de Venâncio Aires.

Até então, a história de Fernando Miguel era um retrato do que muitos meninos vivem antes de brilhar no mundo da bola. Foi aquela primeira prova que quase todo garoto que sonha em colocar as chuteiras passa na carreira. Mas foi em 2010 que o futebol quase perde o goleiro em definitivo.

Após passar pelos clubes Brasil de Pelotas, Porto Alegre, Novo Hamburgo, Arapongas e Londrina, ele foi contratado pelo Esportivo Bento Gonçalves, time no qual viveu um verdadeiro pesadelo. “Foi o pior momento da minha carreira. Eu sofri uma lesão e joguei pouco no Campeonato Gaúcho, aí veio o desemprego. Até então, é uma coisa normal no futebol, mas ninguém me queria mais. Não bastasse, caí no conto dos empresários e fiquei sete meses sem trabalhar, sem receber nada”, revela.

Muito seguro dos seus atos, como ele mesmo define, Fernando Miguel tomou uma decisão: “Acabou”. 


Como milhões de anônimos, viu as contas atrasarem. Em um momento de desabafo, entrou em uma sala onde guardava seus troféus e começou a destruir tudo que já havia conquistado. Só parou quando sua esposa e primeira namorada, Laura, o conteve. Sem esperança, se vestiu e decidiu encarar uma entrevista de emprego para ser recepcionista de hotel. Era o que ele precisava para recomeçar.

“Eu disse para Laura, minha esposa, que se eu precisasse trabalhar em outra coisa para sustentar a casa, eu nunca mais voltaria a jogar. Chegou a um ponto que não dava mais. Fiz uma entrevista de emprego e o cara perguntou minha história. Contei tudo e disse que nunca trabalhei com outra coisa. Ele me disse que eu preenchia todos os requisitos, me comunicava bem e tinha o perfil ideal, mas que ele não ia me empregar. Fiquei surpreso e ele disse ‘você nasceu para jogar futebol. Espera sua oportunidade’. E não me deu o emprego”, lembra.

Recomeço
O que parecia uma porta fechada, na verdade, foi a luz no fim do túnel. Pouco tempo depois, ele foi contratado pelo Lajeadense. Muitos jogadores torceriam o nariz para um clube pouco expressivo, mas Fernando Miguel, não. “Para mim, era seleção. Era a chance de recomeçar. E se hoje eu estou aqui, eu devo a Laura, que não me deixou parar de sonhar. Quando eu destruí tudo meu, ela me conteve, ela disse: ‘se você não consegue mais sonhar, eu sonho por ti’”. 

Na época, a esposa segurou as pontas. “Fernando sempre foi racional e eu emocional. Nessa época, se inverteu. Ele ficou muito pra baixo, eu voltei a trabalhar, procurei dois empregos para que ele não largasse o que ama. Era o sonho dele, nasceu pra isso”, conta.


Fernando Miguel e sua família 
Laura é um anjo na vida de Fernando Miguel e ele faz questão de dizer isso. Assim como ela foi a primeira namorada do goleiro do Leão, ele também foi o primeiro namorado dela. Os dois estão juntos há 13 anos.

A partir da contratação por parte do pequeno clube gaúcho, a vida de Fernando Miguel deslanchou. O primeiro presente do casal foi a pequena Manuela, que hoje está com quatro anos. A carreira pegou carona na boa fase. Após deixar o Lajeadense, Fernando Miguel chegou ao Juventude, foi eleito melhor goleiro do Gauchão e despertou atenção do Vitória. 

Chegou a Salvador em 2013,  passou alguns perrengues, como ser afastado para disputar a Copa Governador do Estado, e, sem cara feia, esperou até  2015 para estrear no time principal. “Nessa época muita gente falava que o Vitória tinha que cair, que não podia fazer isso comigo. Nunca admiti isso. Tenho gratidão pelo clube, nunca vou me queixar de nada. Não reclamo de concentrar, treinar. Quando você passa tudo que passei, cada jogo, treino, vira um presente, é motivo de agradecimento”. 

Hoje, a única coisa que ainda tira o sono da família é o calor de Salvador. “Fiquei com cara de velho depois que vim pra cá, por causa do sol”, brinca o goleiro de 31 anos, que carrega nas luvas uma história que, se os torcedores do Vitória conhecessem antes, o admirariam ainda mais.

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